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Marpe Talk Lisbon refletiu Corporate Diplomacy em contextos de turbulência

No dia 10 de dezembro de 2020 a MARPE Network organizou a sua quarta MARPE Diplo Talk para refletir em torno da ideia da diplomacia empresarial como bússola para a gestão público / privada em tempos turbulentos. O orador principal foi o professor Wilfried Bolewski, professor de direito internacional e diplomacia da Sciences Po em Paris, da American University of Paris e da Free University of Berlin e um ex-diplomata alemão que atuou na Itália, Polónia, Austrália, Paquistão, Camarões e foi Embaixador na Jamaica, Belize e Bahamas. Participou do Grupo de Planeamento Nuclear da NATO e na Conferência das Nações Unidas sobre Desarmamento. O professor Bolewski foi chefe de protocolo dos chanceleres alemães Schröeder e Merkel e publica sobre novas dimensões da diplomacia, incluindo o papel das multinacionais e atores não-estatais no âmbito de relações bi e multilaterais.

Esta conversa contou com cerca de 100 participantes, via webinar, nomeadamente o Secretário-geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros, embaixador Álvaro Mendonça e Moura, bem como representantes do Portugal Global (AICEP), numerosos alunos, professores e investigadores quer do ISCSP-Ulisboa, quer das restantes universidades parceiras no projecto, e ainda com diplomatas e empresários. Após uma breve introdução da professora do ISCSP-ULisboa Susana de Carvalho Spínola e da apresentação do professor Wilfried Bolewski seguiu-se um debate animado entre os participantes e o orador convidado. Fechou-se a conversa com uma sumula do que mais relevante foi refletido elaborada pela professora do ISCSP-ULisboa Sónia Sebastião.

Partindo do título “Compass for public/private management in turbulent times: Corporate Diplomacy” foi objetivo desta conversa refletir sobre o conceito de Corporate Diplomacy em contextos internacionais, cada vez mais caracterizados por volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade (VUCA World), e os desafios que este trazem para Estados, empresas, mas também organizações sem fins lucrativos, fundações e associações, bem como instituições internacionais nas suas inter-relações e na construção de sociedades mais justas e pacíficas.

“No século 21, a comunidade universal é caracterizada por grandes desafios, choques externos e fragilidades globais em contexto de crise, como volatilidade económica e convulsão social. Essas turbulências desestabilizadoras revelam uma mudança paradigmática no sistema global, com as suas organizações multilaterais disfuncionais em direcção a uma era de (des)ordem internacional fragmentada e desintegrada”. Este foi o ponto de partida proposto pelo Professor Wilfried Bolweski para esta conversa. Adiantando que “a sociedade internacional exige conhecimento sensível para reavaliar, ajustar e acomodar os fundamentos da diplomacia (interdependência e interações do fator humano: diplomacia para o bem) às novas expectativas da esfera pública” e que “diante das exigências sociais e ambientais, as empresas transnacionais, vistas como “entidades públicas privadas”, são solicitadas a envolverem-se em questões de interesse público, fornecendo bens públicos e co-criando sociedades coexistentes mais justas e pacíficas. (…) Uma gestão internacional não é apenas negócios, e os negócios não são um fim em si mesmo, mas o seu impacto social também deve servir um propósito de bem comum. (…) Ao enfrentar grandes desafios, as empresas estão a tornar-se co-atores diplomáticos e assim, obtêm acesso à arena diplomática”.

Do diálogo com o Professor Bolweski destaca-se a inovadora conceção de diplomacia que desloca o foco das organizações, dando primazia à sociedade para o que chama uma “Societal Diplomacy destinada a gerir a ambivalência situacional e contextual, harmonizando interesses e expetativas divergentes, numa abordagem holística, que inclui intelligence emocional, social e intercultural.

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